sábado, 18 de fevereiro de 2012

O que ficou de 2011... Parte 2

Este post vai ser diferente. Desta vez, vocês é que vão me contar o que pensam e sentem sobre algo (espero que sim! Colaborem!).

Dê uma olhada nos vídeos abaixo:









Bonitos, não? (Só acho que tinha de ser “não poetizES”, para fazer a rima…) Começaram a aparecer na MTV faz uns 3 meses. São material de divulgação do blog Rayuela, parte do portal da MTV. (Há muito tempo já deveria ter comentado isso, aqui no Morellianas.)

E é aí que quero sua opinião, morellianeiro. O que acha desse site? Preferi perguntar a vocês, leitores do Morellianas, já que a minha opinião pode ser muito suspeita.
Pra não dizerem que fujo da raia, só digo que achei as vinhetas muito melhores que o conteúdo do blog...

quinta-feira, 16 de fevereiro de 2012

Invasão das lagartixas!

Sempre me identifiquei com gatos. Quietos, silenciosos, meio indiferentes, preguiçosos... Mas andei pesquisando por aí e parece que os gatos são os maiores predadores das lagartixas! Não sei se posso acreditar muito nisso, porque, nos últimos dias, me vejo rodeado por uma porção de lagartixas. Vejam:


Essas simpáticas criaturas que eu associo (sem muito fundamento científico) com os axolotles (como é estranha a palavra em português) tomaram o Morellianas. Me subiram pelas patas, pelas orelhas, até pelos bigodes. E me tiraram dessa indolência felina, me fazendo escrever e publicar de novo.

Se ficou curioso, dê uma olhada no habitat delas (lagartixas vivem em tocas? ninhos? covas? Tem algum biólogo por aí?)

sexta-feira, 10 de fevereiro de 2012

Respondendo a um comentário


Recebi um comentário interessante no post sobre “Alguém que Anda por Aí”. Resolvi responder na forma de comentários alternados, porque ficou bem bacana!

Gustavo:
(Cláudia!)

Parabéns pelo seu trabalho.
(Ah, o que é isso. Obrigado pelo seu comentário, que é o que faz esse “trabalho” valer a pena!)

Sou de São Paulo e participo de um "Clube de Leitura" intitulado "Confraria das Lagartixas".

(Estão aí duas coisas que eu gostaria de ter! Um clube de leitura e a genialidade – ou, bem melhor e muito menos banalizado –, a piantalidade (cf. Cortázar sobre os piantados) de chamá-lo de “Confraria das Lagartixas”! Nome mais simpático e menos pretensioso que “Clube da Serpente”)

Temos algo em comum: Julio Cortázar.
Todas as quartas, nos reunimos para debater seus contos (…)

(Correção: a segunda coisa que eu gostaria de ter era, especificamente, um clube de leitura dedicado a Julio Cortázar. Notem bem! O Morellianas não é mais que uma tentativa de criar esse clube, mesmo com uma pessoa em Porto Alegre, outra em São Paulo, outra em Nova York e por aí vamos…)

(…) e claro, onde foi que desembocamos? No seu mar de informações.

(Essa comparação eu aceito, muito obrigado. Mares às vezes são agitados e às vezes passam um tempão calmos, quase sem se mexer – o que corresponde à minha frequência e ao meu método (???) de postagem.)

No momento, estamos debatendo "Alguém que Anda por Aí". Assim como vc mencionou, tbm achei um livro diferente, menos fantástico, mais terreno, mais vida.

Ele se desnuda. Expõe relações pessoais e inter familiares.

(Tenho que ser sincero… faz muito tempo que li o livro e o texto. Abril de 2009! Quase lá se vão 3 anos! Embora eu tenha começado a reler os livros do Julio, ainda não deu tempo de reler “Alguém que Anda por Aí”. Eu também procuro ler as coisas que o Julio leu. Agora estou lendo o livro do Donleavy que ele cita em "/ que saiba abrir a porta para ir brincar" (como é chamado em "Valise de Cronópio") ou "/ vamos todos cirandar" (como é chamado no tomo II de "Último Round")

Estava discutindo agora com uma das confrades e discordamos sobre "Em Nome de Boby". Imediatamente fui no papa (…)

(Ah, Cláudia. O Sumo Pontífice deve estar se retorcendo no seu leito no Vaticano, pela comparação. Risos. Falando sério, minha intenção nunca foi ser “o papa de Cortázar”. Acho que sou mais “secular”, mais “laico”. Sem endeusamento do autor. Pelo contrário, tentando trazê-lo pra mais perto da minha realidade, com o preciso objetivo de expandir essa mesma realidade – como o Julio propôs e fez com sua realidade)

(…) e percebi que vc tbm tem a mesma opinião que minha amiga. Ela tbm acha que a tia era boazinha.

(De novo vou ter de discordar – não vai faltar quem diga que eu peço comentários, mas quando eles aparecem eu vou na contramão… Mas se não fosse assim, não seríamos leitores de um autor que afirmava que o leitor precisava participar mais! Discordo porque é impossível ter a mesma opinião sobre o conto. Cada um constrói um mundo inteiro na imaginação, para cada conto que lê, mesmo que boa parte desse conto continue oculto, porque ele é o suporte da história, o “tutano” da existência dos personagens. Claro que você disse que temos a mesma opinião sobre esse aspecto específico do conto… Mas, bem, hoje em dia, se relesse o conto, com certeza acharia outra coisa. Seria outra tia, ainda que pudesse achá-la também boazinha)

Como todos os contos do Cortázar, cada um interpreta como quer seus desfechos. Envolve nossa vivência pessoal e nosso olhar para a vida. No meu entender, a tia morria de ciúmes da mãe e de alguma forma disputava o garoto que não sabia o que fazer e vivia atormentado nos sonhos. Até que...

(Como é bom uma “segunda opinião” por aqui, para variar! Eu sempre quis isso, mas os leitores aqui parecem meio acanhados, talvez com receio de discordar…)

Cortázar viveu rodeado de mulheres e neste livro, está tão nítido como ele soube se desvencilhar do lance de forma clara e definida. Saudável, feliz, olhando por trás das lentes da vida e seguindo.

(Certo, certo, vou reler! Agora me deu muita vontade! Fiquei curioso. Talvez vá ser como ler o conto pela primeira vez)

Vi a seleção de filmes relacionadas aos contos e adorei. Assista "A Vida Secreta das Palavras" e vc vai se deliciar com a "Srta. Cora".

(Esse é um daqueles filmes que estão na minha lista “assistir!!!”, assim, com três exclamações, mesmo. Mais de uma vez vi pedaços dele, na madrugada. Não tinha me dado conta de que o filme parece mesmo inspirado no conto. Se você souber de alguma fonte que cite o conto do Julio como inspiração para a Isabel Coixet, me avise, porque o filme não consta na minha lista do post “Cortázar e os filmes”)

Um abraço,
Cláudia Belintani

(Boas salenas,
o cronópio-residente do Morellianas)

segunda-feira, 30 de janeiro de 2012

Uma carta aberta a Gustavo Ribeiro

Boas salenas, cronópios!
Aqui está a tradução da carta aberta que o Chris Kearin (do excelente blog Dreamers Rise) enviou, falando sobre como Cortázar é visto nos Estados Unidos (leiam a original, em inglês, neste link). Desculpem a demora e aproveitem a leitura, que é bastante esclarecedora!



Uma carta aberta a Gustavo Ribeiro

Caro Gustavo,

Você me pediu algumas considerações sobre como Cortázar é visto nos EUA. Não sou acadêmico e não fiz nenhum esforço sistemático para me manter em dia com os estudos acadêmicos mais recente em inglês, então o que se segue será amplamente baseado em minha perspectiva pessoal como leitor e como livreiro (de uma maneira ou outra) nos últimos 35 anos.

Conheci o Cortázar por meio de traduções, em antologias de Literatura Latino-Americana, entre as quais existiam algumas muito boas no mercado na década de 1970. Não lembro ao certo, mas a primeira história que li pode ter sido “Axolotl” ou “Carta a una señorita en París” – qualquer uma delas suficiente para conquistar pela vida inteira. Em seguida, provavelmente peguei um exemplar de segunda mão de da edição em brochura de Blow-Up and Other Stories, compilação, feita por Paul Blackburn, de partes de Final del juego, Bestiario, e Las armas secretas, antes de partir para os romances. Conforme meu espanhol ficava melhor, pude reler as obras em suas formas originais e também me familiarizar com livros que ainda não tinham sido traduzidos.







A primeira edição de um livro completo de Cortázar em inglês foi a tradução de Los premios (The Winners em inglês) feita por Elaine Kerrigan, em 1965, uma tradução da qual eu não acredito que o autor tenha gostado muito. Desde então, ele tem sido, de maneira geral, afortunado com seus tradutores para o inglês; trabalhou junto tanto a [Paul] Blackburn como a Gregory Rabassa, e ficou muito satisfeito com os resultados. Até a publicação de  Blow-Up (originalmente chamado The End of the Game and Other Stories) em 1967, Cortázar era conhecido no mundo anglófono unicamente como romancista, o que, claro, é uma inversão da maneira como sua carreira se desenvolveu de fato.

Em geral, as editoras americanas acompanharam a produção das obras mais relevantes de Cortázar durante os últimos períodos de sua vida. Seus livros eram editados em capa dura por grandes e prestigiosas companhias, e muitos apareceram em edições  em livro de bolso, particularmente no selo Bard da editora Avon. Desde sua morte, contudo,a situação tem sido variada. Hopscotch (Rayuela) e Blow-Up tem estado mais ou menos continuamente disponíveis, sem dúvida em parte por ser adotado como leitura em cursos universitários, mas Libro de Manuel (traduzido aqui como A Manual for Manual) e diversas outras obras importantes chegaram a sair de catálogo. Mais importante, edições de obras não traduzidas anteriormente ou obras póstumas tem sido lentas a chegar às lojas. Os grandes editores comerciais, até mesmo editoras respeitadas como Knopf and Farrar, Straus & Giroux, parecem não ter interesse Cortázar, mas, por sorte, essa brecha foi parcialmente preenchida por editoras independentes menores, como New Directions, City Lights, e Archipelago Books.










Talvez a maior omissão na publicação da obra da obra de Cortázar aqui seja na ficção curta. A seleção de Paul Blackburn foi feita junto com sua mulher, Sara, então editora na Pantheon, e com o próprio Cortázar, e provavelmente representou um esforço de fazer uma “coletânea” baseada no que tinha sido publicado na Espanha até então. A coletânea era boa, mas, ironicamente, levou a uma situação em que muitas das melhores histórias dos primeiros vinte e poucos anos da carreira literária de Cortázar, que não foram de início selecionadas para entrar em Blow-Up, jamais foram traduzidas e, portanto, são inteiramente desconhecidas dos leitores que não podem lê-lo no original. Coletâneas posteriores das histórias de Cortázar em inglês (por exemplo, All Fires the Fire [Todos os Fogos o Fogo, no Brasil, e Todos los Fuegos el Fuego, em espanhol]) geralmente foram organizadas de forma a se igualar aos conteúdos dos volumes correspondentes em espanhol; apesar de suas qualidades, alguns dos primeiros contos, como “Cartas de Mamá,” “Después del almuerzo,” e “Los venenos” foram deixados de lado. Isso, acredito, distorceu um pouco nosso entendimento do cânone cortazariano, dando mais ênfase às obras ambientadas na Europa do que às obras ambientadas em Buenos Aires, e, portanto, nos dando uma imagem de Cortázar como escritor que é menos “latino-americana” do que de outra forma poderia ser.




O mercado americano é há muito tempo conhecido por ser hostil a traduções, e, em alguns aspectos, somos o mais provinciano dos países no que diz respeito às nossas opções de leitura. O chamado “boom” do romance latino-americano foi acompanhado de uma correspondente expansão nas traduções para o mercado americano durante a década de 1970 e no início da década de 1980, mas essa era já se passou há muito. Ainda que haja exceções, (García Márquez, cujas ambientações talvez ofereçam mais do “exotismo” que nossos leitores esperam de um autor latino-americano, e Vargas Llosa, com seu Prêmio Nobel e longa relação com um editor específico), o quadro geral ainda é bastante desanimador. Existem importantes livros inteiramente dedicados a estudos críticos sobre Cortázar (alguns deles já bastante datados atualmente) e, como mencionei, uma ou outra nova edições aparece por meio de pequenas mas corajosas editoras, mas nenhum esforço maior em conjunto está sendo feito para manter as obras de Cortázar sendo impressas, em edições abrangentes, e para promover sua obra a um número amplo de leitores.




Tendo dito isso, todavia não se pode dizer que Cortázar não tenha seguidores nos EUA. Seus livros são estudados com regularidade em cursos universitários e são frequentemente objeto de estudo de artigos acadêmicos, dissertações, e posts em blogs. Além disso, temos uma população crescente de falantes de espanhol, cujos leitores não dependem de traduções; há até mesmo um livro de bolso da Penguin, La autopista del sur y otros cuentos, direcionado a esse público. Seus romances e contos são bem conhecidos de escritores, de especialistas na América Latina, de críticos e de universitários do curso de Literatura, e vários outros. Contudo, Cortázar, homem erudito como era, não escreveu somente para benefício de acadêmicos e especialistas, e o total efeito renovador de um livro como Rayuela merece ser sentido, como penso que foi na América Latina e, até certo ponto, na Europa, por um público mais amplo. Já está mais do que na hora de uma edição abrangente dos contos, bem como de uma biografia, ainda que no último caso seja provavelmente melhor que o mundo dos falantes de espanhol tome a dianteira.




A melhor notícia, contudo, é que sua obra permanece. Mesmo aquelas edições que estão fora de catálogo podem ser encontradas, por aqueles que se dispõem a tomar um tempo em procurá-las, em sebos ou bibliotecas. As traduções que irão encontrar geralmente são de alta qualidade, e ainda que existam muitas lacunas, a obra de Cortázar continua disponível, para demonstrar sua importância e proporcionar encanto e estímulo ao leitor, o que, assim eu penso, foi a intenção do autor.

Tudo de bom,

Chris

sexta-feira, 27 de janeiro de 2012

Mais cartas a caminho

A Alfaguara publicará uma nova edição das cartas de Cortázar. Entre fevereiro e março, chegarão às livrarias cinco volumes (3 no mês que vem, 2 em março), com mais de mil (!) novas cartas, além de correções das já publicadas anteriormente.

Entre o material que mais promete, está uma carta (a única que enviou em toda sua vida) ao seu pai e cartas enviadas à mulher que inspirou a Maga. Os editores são os conhecidíssimos (pelo menos entre os cronópios) Aurora Bernárdez e Carles Álvarez Garriga, os mesmos de "Papéis Inesperados".

Leia reportagem extensa, em espanhol, aqui no site a24.

terça-feira, 3 de janeiro de 2012

O que ficou de 2011... Parte 1

O ano passado foi meio conturbado para as publicações do Morellianas. Fiquei um tempão sem computador e aí a coisa toda saiu do prumo... tinha posts planejados para dias específicos. Uma vez perdida a chance, não fazia tanto sentido publicar em outra data. Um exemplo é a postagem sobre os tradutores de Cortázar, que seria publicado em 30 de setembro, dia de São Jerônimo, padroeiro dos tradutores.

Bem, posts como esse vão ter de esperar até mais adiante, neste ano. Por outro lado, posso retomar as atividades com alguns outros comentários que ficaram pra trás.

Descoberta científica leva nome cortazariano:
Meses atrás, cientistas argentinos encontraram o que se acredita ser o mamífero mais antigo da América do Sul. Não sei vocês, mas eu não tenho especial interesse por paleontologia. O que nos interessa mais é o nome que os paleontólogos deram ao animal do fim do período Cretáceo: .

(Para um relato mais jornalístico dessa notícia, e também uma foto, sigam este link da Folha)

É uma bela homenagem ao Julio - ainda que eu ache esses bichos mais com cara de "mancúspias" do que "cronópios"...Só me pergunto se, no futuro, quando leitores mais jovens lerem "Histórias de Cronópios e de Famas", não irão procurar na internet o que é Cronópio e, vendo a reconstituição visual, simplesmente não vão imaginar que era desses cronópios que o Julio falava. Será que não vão perder a capacidade de imaginar seus próprios cronópios (pra mim, isso foi uma das maiores diversões do livro)?